terça-feira, 17 de maio de 2011

Gaby

Vivo uma relação de amor e ódio com meu Navegador GPS. Digo, minha Navegadora GPS, a Gaby. Dei esse nome ao aparelhinho depois de descobrir que a voz feminina que faz a navegação se chama Gabriela.
Ela me tira do sério às vezes. Acha que manda em mim. Já tivemos brigas homéricas no transito. A razão de tantas brigas não é insegurança, não é que eu não queira receber ordens de uma mulher, é que Gaby é uma esportista, gosta de escalar ladeiras. Já eu, prefiro andar um pouco mais a tentar convencer meu carro que ele consegue escalar o Everest.
Gaby também é uma mulher muito corajosa, não tem medo de becos e vielas mal freqüentadas. Por vezes tenho que confessar a ela o meu temor de atravessar favelas, principalmente à noite.
Não posso reclamar, como viajo muito, nem sempre conheço as ruas das cidades por onde passo, mas para isso, tenho que dar o braço a torcer, ela é imbatível. Leva-me sempre onde preciso ir, sem reclamar, sem condicionar, sem se cansar.
Dia desses, em uma de nossas conversas, disse a ela que a entendia, e que o problema não era com ela, mas sim comigo, ela não deu muita bola para mim, após um breve silêncio, suas únicas palavras foram “prepare-se para virar a esquerda em oitocentos metros”.