domingo, 9 de maio de 2010

Será esse o caminho certo?

O relato a seguir aconteceu sexta feira dia 07 de Maio numa escola particular onde leciono biologia. Estávamos todos empolgados com uma feira de ciências e com uma série de debates que eu e demais colegas professores organizamos. Tudo estava planejado, foi uma semana inteira de aprendizagem, sabe aqueles eventos simples mas que você jamais esquece? Esse foi um deles. Estava tudo muito bom, até que resolvemos dar início a mais um debate e o tema era o mais esperado por mim, confesso, Evolução.
Repentinamente começo a ouvir murmúrios, reclamações, por parte de alguns pais, que é claro tinham sido convidados por nós, mas o pior ainda estava por vir, um pai levanta, interrompe a leitura que estava sendo feita por um aluno e começa a gritar que aquilo era uma armadilha de Satanás, que o filho dele sairia daquele lugar, não voltaria mais, entre outras asneiras que prefiro não escrever para não bater de frente com a fé de ninguém.
O que me trouxe a escrever esse fato aqui foi a indignação, a vergonha alheia e o medo. O medo de ver a reação das pessoas em ver um só levantar e expressar a sua opinião e essa opinião ser tomada como verdade. Isso me fez pensar no poder que temos sobre os outros e de como quem tem essa consciência usa essa ferramenta para o seu próprio bem, mesmo que não seja nada bom para os outros. A vergonha alheia por uma pessoa que tinha seu discursso decorado, parece que ele acordou e disse a si mesmo que iria detonar com um evento feito na escola que o filho dele frequenta, feito também pelo filho dele, essa foi a impressão deixada por ele não só pra mim como para alguns professores. E por último, minha indignação, o filho do pai que fez o protesto, um aluno mediano, mas que se esforça, não falta, não desrespeita o trabalho dos professores me confessou que é OBRIGADO a ir para a igreja com os pais, ele disse que não tem vontade de ir domingo de manhã para um lugar que ele não entende o que está sendo feito, ou dito, "queria mesmo era brincar, jogar bola".
Essa conversa com esse aluno me fez perder o sono, sinceramente, nós não temos o direito de forçar ninguém, a nada, mesmo que sejam nossos filhos. Onde está a garantia que é até bíblica do livre arbítrio? Acabou, não tem mais?
As crianças não deveriam ser rotuladas de acordo com a religião de seus pais. Termos como "criança católica" ou "criança muçulmana" deveriam fazer as pessoas sentirem-se constrangidas. (Richard Dawkins)