sexta-feira, 14 de maio de 2010

O TEMPO - I

O tempo voa, não é mesmo? Acabamos de celebrar o Natal e Ano Novo, e já vieram o Carnaval e a Páscoa. Aliás, já estamos nas festas juninas e logo mais vai ser Natal novamente.

Quando éramos crianças, os marcos eram esses mesmos, além dos aniversários dos parentes e das férias escolares. A demora entre um e outro era muito grande, o tempo custava a passar. Agora voa – como pode?

Pretendemos discutir algumas abordagens sobre esse assunto numa pequena série de comentários, a partir de hoje. O tempo tem tudo a ver com a qualidade de vida.

O TEMPO SOCIAL

Existe uma corrente de humanistas defendendo a posição de que a duração do tempo depende da idade cronológica do observador. Como no exemplo citado acima: para uma criança de dez anos o tempo escoa muito mais lentamente do que para uma pessoa de 60.

A base conceitual para isso seria a expectativa de vida das pessoas. Assim, para a criança, cada dia é uma fração insignificante do tempo que tem pela frente. Ela não conhece as estatísticas e projeções sobre isso, apenas sente. Já um idoso, fazendo as contas talvez um pouco mais conscientemente, conclui que cada dia é um pedaço enorme do tempo de vida que lhe resta = e dali a pouco essa fração já está maior, porque o tempo continua correndo.

Ainda dentro desse relativismo psicossocial, é bom lembrar que as coisas à nossa volta agora andam mais rapidamente. Há trinta, quarenta anos, tudo era mais lento. Para ir de um lugar a outro, demorava-se mais. As notícias vinham mais devagar. Não havia tanta refeição preparada no mercado e nem leite longa vida. No trabalho usava-se calculadora e máquina de datilografia. As cópias eram com papel carbono; se fossem mais de cinco, era necessário preparar uma matriz para impressão. Os erros de digitação tinham que ser consertados com uma borracha especial, estilete ou tinta incolor.

Bem, se tudo se acelerou à minha volta, devo concluir que cada dia rende mais, posso trabalhar menos e ter mais tempo para o lazer, não é mesmo?

Mas não é o que sentimos. A nossa idade cronológica aumenta no mesmo sentido que a velocidade do mundo externo. Podemos fazer tudo com mais eficiência, mas sobra cada vez menos tempo para o sono e lazer.

Então temos que procurar entender o problema de outra maneira. Ou de outras maneiras, pois há muita controvérsia.