sábado, 15 de maio de 2010

O TEMPO - II

Uma tese interessante sobre o assunto vem dos físicos e astrofísicos. Em resumo diz o seguinte:

Desde a década de ’70 a Terra está girando mais velozmente em torno do seu eixo. Portanto o dia, que é medido pela rotação do Sol, está passando mais rápido. E as partículas subatômicas estão vibrando numa freqüência maior.

Nesse sentido, a rotação da Terra estaria sujeita a uma velocidade uniformemente acelerada, isto é, iria cada vez mais rápido. Hoje o dia, em vez de 24 horas, teria cerca de 12 ou 13 horas – isto se pudéssemos ter um padrão absoluto de medição.

Mas os padrões de medição são relativos. O Sol continua nascendo a cada manhã e, como a aceleração ocorre em frações muito pequenas, não sentimos nada. Quer dizer, temos a sensação de que as coisas estão indo rápido demais, mas atribuímos isso à agitação do mundo moderno e esquecemos o assunto.

Bem, mas tem o relógio! Esse não nos engana, e continua marcando seu tique-taque a cada 12 horas, sem erro.

Os relógios mecânicos funcionam com um sistema de balanço – se forem de pulso – ou de pêndulo, no caso de relógios de parede. Os dois sistemas estão sujeitos à força de gravidade. Ora, se a velocidade de rotação da Terra está aumentando, então a gravidade está diminuindo e, portanto, adequando o balanço ou o pêndulo ao nível correspondente. Para reforçar a tese de que o mecanismo do relógio não possui um rigor absoluto, os físicos lembram que um relógio fabricado na Suíça precisa ser regulado para funcionar adequadamente na região equatorial, onde a gravidade é ligeiramente menor.

Se quisermos argumentar com base num relógio eletrônico ou atômico, teremos que lembrar que eles são construídos de materiais que também se alteram com a aceleração das partículas subatômicas, seja cristal de quartzo ou uma pedra de césio.

A tese da expansão do Universo também é invocada para confirmar essa tese, como. De acordo com ela, o Universo se expande (como se fosse uma bexiga de ar em que sopramos e concluímos que os desenhos na sua superfície também se “esticam”). Tomando como exemplo uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro, percorremos os 400 km em quatro horas, numa velocidade média de 100 km/h). Mas se o Universo se expande, essa distância fica maior, portanto teríamos que andar a 110 km/h para cobri-la em quatro hora. Só que nada disso seria perceptível, pois todos os instrumentos de medição (a trena, o relógio, o teodolito) também se modificariam no mesmo sentido e proporção.

Até a Teoria da Relatividade de Einstein é lembrada na argumentação. Segundo ela, no Universo tudo é relativo e depende do referencial. Se aumentamos a velocidade (em direção à velocidade da luz), o tempo vai “encolhendo”. Ou, para nós, que nada entendemos de física, talvez caiba melhor a Viagem ao Mundo em 80 Dias, do Júlio Verne. Caminhando por terra e mar em direção ao Leste, Phileas Fogg e Passepartout passam por diversas peripécias e gastam 81 dias no total. Mas para os amigos que haviam ficado na Inglaterra, haviam passado somente 80 dias.

Dá para entender? Dá, mas não resolve o problema da falta de tempo. Precisamos investigar outros caminhos.